rijeza

by borra-botas

supported by
/
  • Includes high-quality download in MP3, FLAC and more. Paying supporters also get unlimited streaming via the free Bandcamp app.

     name your price

     

  • Cassette

    C46
    Pro-dubbed
    (Cover Artwork with all lyrics on silk coated paper 170gsm)

    Includes unlimited streaming of rijeza via the free Bandcamp app, plus high-quality download in MP3, FLAC and more.
    ships out within 5 days
    edition of 50 

     €5 EUR or more

     

1.
06:07
2.
05:55
3.
04:28
4.
05:26
5.
05:00
6.
03:00
7.
05:54
8.
06:32
9.
01:57

about

OTA001

credits

released April 1, 2016

tags

license

all rights reserved

about

OTA Portugal

editora/arquivo de cassetes.

cassette label/archive.

contact / help

Contact OTA

Streaming and
Download help

Redeem code

Track Name: lenha
Defronte
à candeia
e eu levo
na floresta
do ensejo
come meio
deita fora
o número
grosseiro
d´alvuras
criaturas
espécies
de coisas
animadas
sem vaga
com copas
ramos e pés
dores até
sem asas
não piam
não dão
ao pião

só abrem
a porta
ao desejo
desnutrido

fogo
carraça
terreno
parte
do desejo
parte
da tua maneira
da tua cegueira

da lenha dos teus olhos
do fogo que me fala
perto
coisa do deserto

a lenha dos teus olhos
a lenha dos teus olhos
é a sobra
do que resta
do que resta
do que fica
do que tenho

é a lenha dos teus olhos
é a lenha dos teus olhos
que eu queimo

é a lenha dos teus olhos
é a lenha dos teus olhos
que eu corto

é a lenha dos teus olhos
a lenha dos teus olhos
que eu corto

é a lenha dos teus olhos
a lenha dos teus olhos
que eu queimo

é a lenha dos teus olhos
é a lenha dos teus olhos
que fátuo

a lenha dos teus olhos
a lenha dos teus olhos
é a coisa que fica
para sempre

a lenha dos teus olhos
a lenha dos teus olhos
é a coisa que fica
para sempre
Track Name: trôto
deixo ao lado
desnudo o corpo
diarreio o soro
piso no engodo

corro atrás de ti
vens me cheirar
vou até ali
vens a chegar

deixo-te escapar para te ir buscar
mas esbarro em líquido fecal
É à mangueira que me limpam
Enquanto decido não mais voltar

borra te
bortate
enxotate
deixa te estar

ja vais à faca
a gemer mal degolado
és amigo dos da cidade
companhia omnipresente do campo

e comes tudo tudo tudo
se me deixo ficar
seria a morte planeada
em sonhos de juba celular

espirra respira burgesso a resfolegar

daqui de baixo se vê o mundo
daqui sempre se cheira mal
envolto em mimo quente
restos da mulher de avental

Avante o camaradismo
Não sou da quinta animal
Não roubo aos inocentes
Não me considero normal

deixo ao lado
desnudo o corpo
diarreio o soro
piso no engodo
Track Name: cabernais
quando vives no buraco
o buraco ganha luz
tira os bolinhos do saco
mistura com o teu pus

tudo cheira a maresia
menos eu, porra, já minto
quer se chore quer se ria
rega bem com mel e absinto

a figueira no inverno
sonha figos infernais
bota umami eterno
coentro dos cabernais

gangrenei umas raivotas
com gaivotas e sabao
acompanha com bolota
corta o fel com meio limao

vivo ao relento do pranto
é melhor do que ao relento
ah carai comemos tanto
vamos resistir ao tempo

busca caldo cor de frango
que é o que dá sabor
com os pés das cerejas
faz-se o chá do alvor

Amarra os pés no chão
oferece comida ao cão
senta ao sol do nino
rega bem com mel e absinto

E com dois confortos juntos
abolidos de sebenta
bota no sansadurninho
de caldinho a caldinho

Cala-te já portanto
Fala pouco e cospe breve
pois não penses que és jumento
deixado de ser imberbe

Mas dá os bolinhos porra
são esses que tu conheces
siga com deslizes breves
rega bem com mel e absinto

Puxa fora saca dentro
deixa vir o alimento
ah carai, comemos tanto
vamos resistir ao tempo
Track Name: causa
Senhores
tricotados de penhores
assombram se ao beijo
desmembram-se em queijo
com um só ensejo
que é nao ter bolor

Senhores
com lapsos de memória
com chá de chicoria
a que chamam
café

Senhores
deixem os estertores
há coisas de sorte
coisas absurdas
a que uns chamam viver

Senhores
da causa e das dores
da coisa que causa
A causa que é a da dor

Senhores
possessos inventores
larguem o louvor
que vos traz pela trela
imagem de bestas
que usam auréola

Senhores
a causa é a dor
a dor que causa
a coisa
que causa a dor

Senhores
que causam a dor
que casa a causa
com a causa
que é a da dor

Senhores
a causa é a dor
Da dor que causa
a coisa que causa a dor

Senhores
a dor é a causa
e a causa é a dor
oh dor

Senhores
nao há outra coisa
que causa outra coisa
que não a causa
que causa a dor
Track Name: bicário
Vejo-me à noite
em estrada acima
sujo de desejo
e consciência limpa

avanço como neblina
arranco a minha própria espinha
chuto ervas daninhas
confundo pedra com tetina

amanho corações antigos
desembaraço abortos findos
procuro lua no candeeiro
amarela como a tinha

desenrolo carnes vivas
trinco vinagreiras lícitas
acordo de repente
procuro o meu demente

Sopro vidro imaginário
como o mário contrario
rabisco ambições antigas
como a cona da tua prima

eu páro, escuto e olho
e só vejo matreirice
continuo a andar ao vento
já com olho pró sabujo
Track Name: escaravelho
Escaravelho bordelho
malífice adueiro
covas pés na areia
em ritmo pederneiro

alivias o teu dom
no ouvido do ausente alheio
constróis a casa de dejecto
do teu inimigo parceiro

sobes ao sol a escada
do teu rasto fugaz
continuas a comer
aquilo que nem te satisfaz

escavas ninho quente
com as patas somente
usas a boca guerreiro
com nutriente cagueiro

És humilde e tractorista
símbolo do anarquista
sabes de tudo o que tens
que é mais que ter bens

arranjas carros durante o dia
consomes escarros por folia
assumes o teu degredo
e passas por cima do meu dedo

és o animal preto
de simplicidade orquestral
aceita este meu instinto
singelo rap banal

Escaravelho
longínquo guerreiro
da pradaria
que trabalha na padaria
Track Name: família
De entremeio
está este inferno cheio
do que se fala
eu nao sei

a luz do sol
desaparece na janela
do desfoque
de um ecrã
e de um desejo

de mais um ensejo
pago a cartão
pela namorada
que se vende na data
com promocão
sem descricão
com vontade de dar a alguém
aquilo que só tens
porque queres ali
porque se não quiseres
o outro já tinha
e se deixares
ficas tu na linha

diz la porque é que carregas
desta cruz
tão inimiga
invenção da tua cabeça
tolinha

eu há coisas e tal
que a vida é uma merda
vou lá devolver
que isto já não tem emenda

não tenho mais pra dar
quero toda a prateleira
este aqui porque não
bora ir à bancarrota

Deixa me que te diga
o coiso do oiso
o osso do sono
o mor do morto
o raio do congo
o salário do rebordo
o enfadonho do medonho
o calibrar do engodo
o xpto do baloiço
o gingar da foice

e aqui me tens
deambulante terreno
de contacto gravado
balbúcio do prado
sustido ao teu lado
a dois dedos
do orifício
que é o teu gelado

mais um amigo pelado
mais um amigo
pelado

De entremeio
está este inferno cheio
do que se fala
eu nao sei
a luz do sol
desaparece na janela
do desfoque
de um ecrã
e de um desejo

de mais um bocejo
pago a cartão
pela namorada
que se vende na data
com promoção
sem descrição
com vontade de dar a alguém

aquilo que só tens
porque queres ali
porque se não quiseres
o outro já tinha
e se deixares
ficas tu na linha

diz lá porque é que carregas
desta cruz
tão inimiga
invenção da tua cabeça
tolinha
e eu há coisas e tal
que a vida é uma merda
vou lá devolver
que isto já não tem emenda

não tenho mais pra dar
quero toda a prateleira
este aqui porque não
bora ir à bancarrota

porque quando se faz
é pra se fazer bem
que senão não dura
isto aqui é para mim…
… e para a família

… isto aqui é para mim…
… e para a família